Saúde e prevenção
Cuidado continuado: por que acompanhar a saúde e quais exames preventivos fazer por idade e sexo
Conteúdo informativo — não substitui avaliação médica individual. Em emergências, procure um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).
A consulta por chat resolve bem o problema de hoje: uma gripe, uma dor nas costas, uma infecção urinária. Mas a saúde não se resume a episódios. Algumas situações pedem acompanhamento ao longo do tempo, de preferência com o mesmo médico, e exames preventivos feitos na idade certa. É o que se chama de cuidado continuado.
O que é cuidado continuado
É o acompanhamento da saúde ao longo dos meses e dos anos, pelo mesmo médico ou pela mesma equipe: um clínico geral, um médico de família ou a equipe de Saúde da Família da Unidade Básica de Saúde (UBS). Esse médico conhece a sua história, compara os exames de hoje com os de antes, ajusta os tratamentos e lembra o que precisa ser repetido. No SUS, essa é a função da Atenção Primária, a porta de entrada do sistema.
Quando o acompanhamento contínuo faz mais diferença
- Doença crônica, como pressão alta, diabetes, colesterol alto, asma, doença da tireoide, depressão ou ansiedade.
- Uso contínuo de medicamento, que pede revisão periódica da dose, dos efeitos e da necessidade de continuar. Veja por que o remédio de uso contínuo pede acompanhamento especializado.
- Sintomas que voltam, ou que se somam a outros sem explicação clara. Veja por que vários problemas de saúde em pouco tempo pedem investigação presencial.
- Fatores de risco: tabagismo, obesidade, sedentarismo, consumo frequente de álcool, histórico familiar de doença do coração ou de câncer.
- Fases da vida com cuidados próprios: gestação, pós-parto, menopausa e envelhecimento.
Nessas situações, a norma do Conselho Federal de Medicina sobre telemedicina (Resolução CFM 2.314/2022, art. 6º) prevê que quem tem doença crônica, ou precisa de acompanhamento por longo tempo, faça consulta presencial com o seu médico assistente em intervalos de no máximo 180 dias. A teleconsulta ajuda entre uma consulta e outra, mas não ocupa o lugar desse acompanhamento.
Exames preventivos: o que o Ministério da Saúde indica
Rastrear é procurar uma doença antes que ela dê sintomas, quando o tratamento costuma ser mais simples e mais eficaz. As indicações abaixo valem para pessoas sem sintomas e seguem as normas do Ministério da Saúde em vigor em outubro de 2026. Quem tem sintomas, histórico familiar ou outro fator de risco pode precisar de exames mais cedo ou com mais frequência: essa decisão é do seu médico.
Para todos os adultos
- Pressão arterial: a partir dos 18 anos. Com a pressão abaixo de 120/80 mmHg (o popular “12 por 8”), medir pelo menos a cada 2 anos; acima disso e ainda abaixo de 140/90 mmHg, todo ano.
- Peso, altura e cintura: em toda consulta de rotina, para calcular o IMC e acompanhar o risco de diabetes e de doenças do coração.
- Glicemia (açúcar no sangue): glicemia de jejum para todos a partir dos 35 anos, repetida a cada 3 anos se o resultado for normal. Mais cedo para quem tem sobrepeso ou obesidade e outro fator de risco (pressão alta, colesterol alterado, sedentarismo, histórico familiar de diabetes, diabetes na gestação). Todo ano para quem já tem pré-diabetes.
- Colesterol: homens a partir dos 35 anos. Mulheres a partir dos 20 anos, e homens de 20 a 35 anos, quando há risco aumentado para o coração: pressão alta, diabetes, tabagismo, obesidade ou histórico familiar de doença do coração precoce. Com resultado normal, a repetição costuma ser a cada 5 anos.
- Hepatite C: teste pelo menos uma vez na vida a partir dos 40 anos, e antes disso se houver exposição de risco.
- Hepatite B: teste pelo menos uma vez a partir dos 20 anos para quem não tem a vacinação completa. A vacina é gratuita no SUS.
- HIV e sífilis: testes rápidos gratuitos no SUS, com a frequência que a exposição pedir (parceria nova, relação sem preservativo). Na gestação, fazem parte do pré-natal.
- Vacinas em dia, conforme o calendário do adulto e do idoso do SUS. Veja vacinação do adulto.
Para mulheres
- Colo do útero: dos 25 aos 64 anos, para quem já iniciou a vida sexual. O SUS está trocando o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV, que, com resultado negativo, é repetido a cada 5 anos. Onde o Papanicolau ainda é usado, ele é feito a cada 3 anos, depois de dois exames anuais normais.
- Mama: mamografia a cada 2 anos, dos 50 aos 74 anos. Dos 40 aos 49 anos, e depois dos 74, a mamografia também pode ser feita pelo SUS, a pedido da mulher, depois de uma conversa com o médico sobre benefícios e riscos.
- Ossos: densitometria a partir dos 65 anos, ou antes, se houver fatores de risco para osteoporose (menopausa precoce, uso prolongado de corticoide, fratura em queda leve, baixo peso). Veja osteoporose.
Para homens
- Próstata: o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam rastrear com PSA ou toque retal todos os homens sem sintomas, porque o exame leva a muitos diagnósticos e tratamentos desnecessários. Quem quiser fazer o exame deve conversar com o médico sobre os benefícios e os riscos e decidir junto com ele. Sintomas urinários pedem avaliação em qualquer idade. Veja próstata e PSA.
- Ossos: densitometria a partir dos 70 anos, ou antes, se houver fatores de risco para osteoporose.
Para homens e mulheres de 50 a 75 anos
- Intestino: pesquisa de sangue oculto nas fezes pelo teste imunoquímico (FIT), a cada 2 anos. Se o resultado vier positivo, a colonoscopia investiga a causa. Veja câncer colorretal.
Mais exames não significa mais saúde
Pedir todos os exames, sem critério, aumenta a chance de achados sem importância, que geram preocupação e procedimentos desnecessários. O bom acompanhamento pede os exames certos, na idade certa e no intervalo certo. Veja check-up do adulto: quais exames realmente importam.
Como organizar o seu acompanhamento
- Tenha um médico de referência: na UBS, com a equipe de Saúde da Família, ou um clínico geral de sua confiança.
- Guarde receitas, exames e laudos em um só lugar e leve-os às consultas.
- Anote a data dos últimos exames e quando cada um deve ser repetido.
- Na Consulta+, quando há acompanhamento a fazer, você pode escolher receber lembretes por e-mail da próxima consulta, da repetição de exames e da renovação de receita.
Onde a teleconsulta entra
A teleconsulta por chat ajuda entre uma consulta presencial e outra: orienta um sintoma novo, revisa resultados, renova a receita de uso contínuo quando há indicação e pede os exames de rotina adequados para a sua idade e o seu sexo. O exame físico completo e o seguimento pelo mesmo médico ao longo do tempo acontecem na consulta presencial.
Perguntas frequentes
Preciso fazer check-up todo ano?
Não necessariamente. Cada exame preventivo tem a sua idade e o seu intervalo: a glicemia, a cada 3 anos se normal; a mamografia, a cada 2 anos dos 50 aos 74; o teste de DNA-HPV, a cada 5 anos se negativo. O médico ajusta esses intervalos ao seu risco.
Tenho doença crônica. Posso fazer o acompanhamento só por teleconsulta?
Não. A Resolução CFM 2.314/2022 prevê consulta presencial com o médico assistente em intervalos de no máximo 180 dias para doenças crônicas ou que exijam acompanhamento por longo tempo. A teleconsulta complementa esse acompanhamento.
Onde fazer os exames preventivos de graça?
Na Unidade Básica de Saúde (UBS). A equipe de Saúde da Família pede os exames indicados para a sua idade e o seu sexo e acompanha os resultados.
Pelo chat, o médico revisa a sua história, indica os exames de rotina adequados para a sua idade e o seu sexo e renova a receita de uso contínuo quando há indicação.
Iniciar consulta por chatConteúdo informativo, que não substitui a avaliação médica individual. As indicações de rastreamento variam conforme a idade, o sexo, o histórico familiar, os sintomas e os fatores de risco: só o seu médico pode definir o que se aplica ao seu caso. Em emergências, procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192).
Fontes: Ministério da Saúde — Nota Técnica nº 626/2025 (rastreamento do câncer de mama); Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, de 29/07/2025 (Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, com teste de DNA-HPV); Portaria SAES/MS nº 4.642/2026 (rastreamento do câncer colorretal); Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabetes Melito Tipo 2 (2026); PCDT da Osteoporose; PCDTs das Hepatites B e C; Caderno de Atenção Primária nº 29 (Rastreamento); INCA (detecção precoce do câncer de próstata); Resolução CFM nº 2.314/2022, art. 6º.