Sintomas comuns

Dor de dente: alívio enquanto espera o dentista e sinais de alerta

Conteúdo informativo — não substitui avaliação médica individual. Em emergências, procure um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

A dor de dente costuma vir de uma cárie profunda, que inflama a polpa (a parte de dentro do dente), de infecção na raiz ou na gengiva, ou do siso nascendo. Remédio alivia, mas não resolve: a causa quase sempre precisa de tratamento no dentista. Enquanto a consulta não chega, alguns cuidados ajudam, e alguns sinais pedem atendimento no mesmo dia.

Causas mais comuns

  • Cárie profunda e pulpite: dor com doce, quente ou gelado, que pode ficar contínua, latejante e piorar à noite ou ao deitar.
  • Abscesso na raiz: dor forte ao mastigar ou ao encostar no dente, às vezes com inchaço na gengiva ou no rosto.
  • Pericoronarite: inflamação da gengiva em volta do siso que está nascendo, com dor no fundo da boca e dificuldade de abrir a boca.
  • Gengivite e periodontite: gengiva vermelha, inchada, que sangra ao escovar.
  • Sensibilidade dentária: dor rápida com gelado ou ao escovar, por desgaste do dente ou retração da gengiva.
  • Dor depois de extração: esperada nos primeiros dias. Se piora a partir do 2º ou 3º dia, com gosto ruim e mau hálito, pode ser alveolite, a inflamação do local de onde o dente saiu.
  • Articulação da mandíbula (DTM) e bruxismo: quem range ou aperta os dentes sente dor perto do ouvido, que piora ao mastigar e ao acordar.
  • Dor nos dentes de cima junto com nariz entupido pode vir da sinusite.

O que alivia enquanto espera o dentista

  • Bochecho com água morna e sal, algumas vezes ao dia, e escovação cuidadosa, com fio dental para tirar restos de comida presos.
  • Compressa fria do lado de fora do rosto, por 15 a 20 minutos, para aliviar a dor e o inchaço.
  • Remédio para dor, quando o médico ou o dentista indicar, no horário certo.
  • Dormir com a cabeça um pouco mais alta.
  • Evitar alimentos muito quentes, gelados ou doces, e mastigar do outro lado.

O que não fazer

  • Colocar comprimido, álcool ou outros produtos direto na gengiva ou no dente: eles queimam a mucosa e não tratam a causa.
  • Fazer compressa quente no rosto quando há inchaço: o calor pode espalhar a infecção.
  • Tomar antibiótico por conta própria. O antibiótico é indicado quando a infecção se espalha, com inchaço, febre ou mal-estar, ou em quem tem a imunidade baixa, e mesmo assim não substitui o tratamento do dente.

Depois de uma extração

  • Morda uma gaze por cerca de 30 minutos para estancar o sangramento.
  • Nas primeiras 24 horas, não bocheche com força, não cuspa, não use canudo e não fume: isso solta o coágulo que protege o local.
  • Prefira alimentos frios ou mornos e pastosos nos primeiros dias.
  • Sangramento que não para com a pressão da gaze, inchaço que aumenta depois do 3º dia ou febre pedem retorno ao dentista.
Dente permanente arrancado numa pancada pode ser salvo se for recolocado o quanto antes, de preferência na primeira hora. Segure o dente pela coroa (a parte branca), sem tocar na raiz. Se estiver sujo, enxágue rapidamente em água corrente, sem esfregar. Leve-o mergulhado em leite ou em soro fisiológico, ou dentro da boca, junto à bochecha, e procure um dentista imediatamente. Dente de leite arrancado não deve ser recolocado.

Sinais de alerta: atendimento no mesmo dia

  • Inchaço no rosto que aumenta, chega perto do olho ou desce para o pescoço.
  • Dificuldade para engolir, para respirar ou para abrir a boca.
  • Febre, calafrios ou mal-estar junto com a dor de dente.
  • Sangramento que não para depois de uma extração.
  • Dor de dente em quem tem diabetes descontrolado, faz quimioterapia ou tem a imunidade baixa por outro motivo.
  • Dor “no dente” ou na mandíbula que vem com aperto no peito ou falta de ar: pode ser do coração. Ligue para o SAMU (192).

Onde ser atendido no SUS

Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) com equipe de Saúde Bucal, que fazem o atendimento de urgência e o tratamento da cárie e da gengiva. Tratamento de canal, cirurgia de siso e tratamento mais avançado da gengiva são feitos nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), com encaminhamento da UBS. A Lei nº 14.572/2023 incluiu a saúde bucal entre as ações do SUS e instituiu a Política Nacional de Saúde Bucal.

Onde a teleconsulta entra

Pelo chat, o médico avalia a dor e os sinais que pedem atendimento no mesmo dia, orienta o alívio até a consulta odontológica e prescreve quando há indicação, como o antibiótico na infecção que se espalha. O tratamento da causa (restauração, canal, extração) é feito pelo dentista.

Perguntas frequentes

Antibiótico resolve a dor de dente?

Não. Na inflamação da polpa (pulpite), o antibiótico não alivia a dor. Na infecção, ele ajuda quando há sinais de que ela está se espalhando, e o dente ainda precisa de tratamento no dentista.

Por que a dor de dente piora à noite?

Ao deitar, chega mais sangue à cabeça, e a pressão dentro do dente inflamado aumenta. Dormir com a cabeça mais alta ajuda um pouco, mas a dor só passa com o tratamento da causa.

Dor na mandíbula e perto do ouvido pode ser do dente?

Pode ser do dente, do siso ou da articulação da mandíbula (DTM), principalmente em quem range ou aperta os dentes. A avaliação do dentista diferencia as causas.

Pelo chat, o médico avalia a dor, identifica os sinais que pedem atendimento no mesmo dia e orienta o alívio até a consulta com o dentista.

Iniciar consulta por chat

Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação do dentista nem do médico. Inchaço no rosto que aumenta ou desce para o pescoço, dificuldade para engolir ou respirar e febre alta pedem atendimento imediato: procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192).

Fontes: Ministério da Saúde — Cadernos de Atenção Básica nº 28, volume II (2012: urgências odontológicas); Cadernos de Atenção Básica nº 17 — Saúde Bucal (2008); Lei nº 14.572, de 08/05/2023 (Política Nacional de Saúde Bucal); Lockhart PB et al. Evidence-based clinical practice guideline on antibiotic use for the urgent management of pulpal- and periapical-related dental pain and intraoral swelling. J Am Dent Assoc. 2019;150(11):906-921; Fouad AF et al. International Association of Dental Traumatology guidelines for the management of traumatic dental injuries: 2. Avulsion of permanent teeth. Dent Traumatol. 2020;36(4):331-342.