Sintomas comuns

Entorse e pancada: recuperação, cuidados e sinais de alerta

Conteúdo informativo — não substitui avaliação médica individual. Em emergências, procure um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Torcer o tornozelo num degrau, bater o joelho ou cair sentado: entorses e contusões estão entre as lesões mais comuns do dia a dia. A maioria melhora em poucas semanas, e a recuperação é mais rápida quando a região volta a ser usada aos poucos. Esta página trata da recuperação. Para o que fazer logo depois do trauma, veja entorse ou fratura: primeiros cuidados.

Entorse, contusão e fratura

  • Entorse: a articulação se torce além do limite, e os ligamentos se estiram ou se rompem em parte. O tornozelo é o local mais comum.
  • Contusão: pancada direta, que machuca a pele, o músculo e os vasos por baixo. Deixa dor, inchaço e mancha roxa, que muda de cor ao longo de 1 a 3 semanas.
  • Fratura: quebra do osso. Desconfie quando há deformidade, dor forte num ponto do osso ou incapacidade de apoiar o peso.
  • Luxação: a articulação sai do lugar. A redução e a avaliação são presenciais. Depois de reduzida, a recuperação segue a orientação do ortopedista, com proteção no início e reabilitação depois.

Precisa de raio X?

Nem sempre. No tornozelo e no pé, os critérios usados nos prontos-socorros (regras de Ottawa) indicam raio X quando a pessoa não consegue dar 4 passos, logo depois do trauma ou na avaliação, ou quando dói ao apertar a borda de trás ou a ponta dos ossos do tornozelo, a base do osso do 5º dedo do pé ou o osso do meio do pé (navicular). Fora dessas situações, a chance de fratura é muito baixa.

Queda sobre a mão espalmada com dor na base do polegar pode ser fratura do escafoide, um osso do punho que nem sempre aparece no primeiro raio X e consolida mal quando não é imobilizado. Precisa de avaliação presencial, mesmo que a dor pareça leve.

Como cuidar, fase a fase

Nos primeiros 2 a 3 dias

  • Proteja a região e evite o que provoca dor forte, sem imobilizar por conta própria.
  • Compressa fria por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, com o gelo envolto num pano.
  • Mantenha a região elevada, acima do nível do coração, quando estiver sentado ou deitado, para diminuir o inchaço.
  • Evite calor, massagem, bebida alcoólica e esforço na região, que aumentam o inchaço.

Depois dos primeiros dias

  • Volte a apoiar e a usar a região aos poucos, conforme a dor permitir. O movimento precoce acelera a recuperação.
  • Na entorse de tornozelo, a tornozeleira ou a órtese funcional dá melhor resultado do que a imobilização rígida, que fica reservada às entorses graves e às fraturas.
  • Exercícios de equilíbrio e de fortalecimento, por várias semanas, reduzem o risco de nova entorse.
  • Dor no cóccix depois de cair sentado é comum e costuma melhorar em algumas semanas. Ajudam uma almofada com recorte na parte de trás, levantar a cada 30 a 60 minutos e evitar superfícies duras.

Quanto tempo leva

Entorses leves melhoram em 1 a 3 semanas, e as moderadas, em 3 a 6 semanas. A contusão costuma melhorar em 1 a 3 semanas. Uma fratura leva de 6 a 8 semanas, ou mais, para consolidar, conforme o osso.

Ferida e vacina contra o tétano

Se a queda abriu a pele, lave bem com água corrente e sabão. Confira a vacina contra o tétano: o reforço é indicado quando a última dose foi há mais de 10 anos e, nos ferimentos de maior risco (profundos, sujos de terra ou de fezes de animais, com ferrugem ou corpo estranho), quando foi há mais de 5 anos. Vacinação incompleta ou desconhecida pede avaliação na UBS ou no pronto atendimento.

Sinais de alerta

  • Deformidade, osso exposto ou incapacidade total de apoiar o peso ou de mexer a região.
  • Dor que aumenta muito nas horas seguintes, com inchaço tenso, dedos frios, pálidos ou arroxeados, formigamento ou dormência: a pressão dentro do músculo pode estar subindo (síndrome compartimental), uma emergência.
  • Gesso ou tala que aperta, com dor crescente ou dedos frios ou dormentes.
  • Pancada na cabeça com vômitos, sonolência, confusão, dor de cabeça forte ou desmaio, principalmente em quem usa anticoagulante.
  • Queda forte sobre o cóccix ou as costas com fraqueza nas pernas, dormência entre as pernas ou dificuldade para urinar.
  • Pancada no abdome ou no tórax com falta de ar, dor que piora, tontura ou sangue na urina.
  • Joelho que incha muito logo depois do trauma, “falseia” ou trava.
  • Vermelhidão que se espalha, calor, pus ou febre numa ferida: pode ser infecção. Veja infecção de pele.

Onde a teleconsulta entra

Pelo chat, o médico avalia como foi o trauma e os sintomas, aplica os critérios que indicam raio X, orienta os cuidados e a volta às atividades e encaminha para atendimento presencial quando há suspeita de fratura ou de lesão que precise de exame físico.

Perguntas frequentes

Posso andar com o tornozelo torcido?

Se você consegue apoiar o pé e dar alguns passos, sim: apoiar aos poucos, dentro do que a dor permite, ajuda a recuperar. Se não consegue dar 4 passos, precisa de avaliação e, provavelmente, de raio X.

Mancha roxa que desce para o pé é grave?

Geralmente, não. O sangue do machucado escorre pela gravidade e muda de cor, do roxo ao verde e ao amarelo, até sumir em 1 a 3 semanas. Preocupa se vier com dor que aumenta muito, inchaço tenso ou dormência, ou se surgirem manchas roxas sem pancada.

Por quanto tempo uso a tornozeleira?

Em geral, por algumas semanas, conforme a gravidade, e também nas atividades de maior risco nos meses seguintes. O médico ou o fisioterapeuta ajusta esse tempo ao seu caso.

Pelo chat, o médico avalia o trauma, indica quando é preciso raio X ou atendimento presencial e orienta os cuidados e a volta às atividades.

Iniciar consulta por chat

Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação médica individual. Deformidade, osso exposto, dedos frios ou dormentes, ou pancada na cabeça com vômitos ou sonolência pedem atendimento imediato: procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192).

Fontes: Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada (2024: tétano acidental e profilaxia nos ferimentos); Protocolos de Intervenção para o SAMU 192 — Suporte Básico de Vida (2016); Stiell IG et al. Decision rules for the use of radiography in acute ankle injuries. JAMA. 1993;269(9):1127-32; Bachmann LM et al. Accuracy of Ottawa ankle rules to exclude fractures of the ankle and mid-foot: systematic review. BMJ. 2003;326(7386):417; Vuurberg G et al. Diagnosis, treatment and prevention of ankle sprains: update of an evidence-based clinical guideline. Br J Sports Med. 2018;52(15):956; Dubois B, Esculier JF. Br J Sports Med. 2020;54(2):72-73.